sexta-feira, 23 de julho de 2010

Minhas gavetas


Outro dia lí que a palavra privacidade originou-se da palavra inglesa privacy, e que foi aportuguesada em algum momento dos anos 70. O texto recomendava que em vez de privacidade se use a palavra intimidade, que é do português, e quer dizer a mesma coisa.

Eu discordo. Para mim, as duas palavras têm significados diferentes. Intimidade diz respeito à minha relação com os outros, privacidade diz respeito apenas a mim. Eu digo "nossa intimidade" e digo "minha privacidade".

Intimidade é algo que eu partilho, privacidade é alguma coisa que eu protejo.

Algo que eu sempre me pergunto é porque as pessoas se acham no direito de invadir a privacidade dos outros em nome da intimidade que elas compartilham.

Porque as pessoas vivem ainda na dimensao de achar que podem "invadir os espaços" alheios??? O que leva alguém a opinar sobre aquilo não lhe pertence???

Acho que as pessoas invadem por que se sentem de alguma forma donas dos outros.

Já viví situações em amizades que, por existir intimidade e troca de confidências, a pessoa se achou no direito de opinar sobre diversos assuntos que não lhe diziam respeito e nos quais não era chamada a opinar.

Muitas vezes me questionei se não fui eu quem deu essa abertura através da intimidade. Mas depois de muito me questionar, cheguei à conclusão que não. Pois eu posso ser íntima de alguém, porém, preservando aquilo que me é privado.

Imagine a seguinte situação: você hospitalizada, pálida, acabou de sair de uma cirurgia e recebe uma visita. Ainda que o visitante seja pessoa da sua intimidade, se este não foi requisitado a participar daquele seu momento, invadiu a sua privacidade.

Eu procuro tomar muito cuidado com essas questões. Procuro ouvir as pessoas, e opinar somente quando sou convidada a fazê-lo. E ainda assim, com muita parcimônia.

Por mais que eu possua intimidade com alguém, existem alguns assuntos nos quais eu procuro me abster de opinar... educação de filhos, possível traição do namorado/marido, ter o não ter filhos, gerenciamento de finanças, gerenciamento da casa...

Nunca digo para uma amiga, por exemplo, que o seu namoro é uma furada, que o cara é galinha ou que não quer compromisso sério... ainda que ela venha reclamar do sujeito comigo. É mais que de foro íntimo. É privado.

No museu Salvador Dali, em Paris, existe uma releitura da Vênus de Milo, com o corpo com gavetas, isso mesmo gavetas!!! Não sou lá muito fã do surrealismo, nem das obras de Salvador Dali... Mas, esquisitices a parte, achei fantastica a ideia do Dali!!!

É exatamente a ideia que eu tenho de intimidade... Algumas das minhas gavetas estão escancaradas, isso é, quero dividir o conteúdo delas com muitas pessoas.

Outras estão semi-abertas e eu posso dividi-las com quem eu quiser, se eu quizer.

Algumas gavetas estão fechadas para os outros, não quero dividir com ninquém. Nessas existem coisas que são só minhas e que eu não quero dividir.

Porém, o mais importante é que eu decido as gavetas que eu quero abrir, e as que eu não quero. Portanto, não abram minhas gavetas!!! É uma agressão sem sentido.

Penso que cada um de nós é dono das suas próprias " gavetas" e que é nescessário preservar espaços próprios de nossa existência.

As pessoas que nada têm nada a esconder não devem ter nada que realmente interesse. Vocês não acham???

quinta-feira, 22 de julho de 2010


"Incertos são nossos amores, e por isso é tão importante sentir-se bem mesmo estando só.
Martha Medeiros

Talvez algum dia...


"Pra vocês o que é a nostalgia?
É a dor que só sente o exilado?
É quando quem da pátria afastado
vê chegar uma grande melancolia?

Caríssimos,
Nostalgia é...
Ressurgir dentro d´alma uma idade passada, uma saudade linda, e sentir no coração, que apesar do tempo, há festa ainda..."

Sou uma pessoa que padece de uma retrofilia crônica, desde que me entendo por gente... Padeço de nostalgia, uma saudade imensa de tempos vividos e, principalmente, daqueles não vividos, e por mim idealizados.

Sinto saudade de um tempo que não viví. Saudade dos Beatles, sendo que quando eu nasci a banda já estava desfeita... Saudade das festas da era Disco, anos 70... eu era apenas uma criança...

Hoje eu estava conversando com a minha filha sobre a viagem de navio que fizemos no mês de maio, e ela me disse: "mãe, quanta saudade... Saudade das amizades que fiz... minhas amiguinhas tão especiais que eu nunca mais verei..."

Sentí o nó na garganta diante da afirmação da minha filha, mas não pude discordar... Foram amizades realmente especiais... meninas e meninos de países diferentes, culturas e idiomas diferentes, que se conheceram em um lugar mágico - a bordo de um navio, durante um passeio de sonhos... Ilhas Gregas... Foram 7 dias de festas, baladas, curtição, paqueras...

Respondí que provavelmente eles nunca mais se encontrarão... Mas são pessoas que ela levará para sempre dentro do coração e sempre que quiser poderá revisitá-las em pensamento... desejando coisas boas para cada uma delas.

Minha filha foi apresentada a esse sentimento que sempre foi tão meu - a nostalgia; essa dor que surge a partir da sensação de não poder mais reviver certos momentos da vida.

Depois dessa conversa, que foi pela manhã, fiquei ainda mais nostálgica do quê de costume... sentí uma saudade imensa da viagem que fizemos, dos lugares, dos cheiros, dos sons... Meu coração quase transbordou de saudade...

No final do dia, sei lá porquê, lembrei de alguns filmes que costumava assistir na sessão da tarde, quando era adolescente... Foi aí que abrí aquela minha gavetinha com cheiro de naftalina e tirei um filme que talvez vocês tenham assistido... ele conta a história de uma adolescente de 13 anos, Jessie Walters (Denise Miller) que se apaixona pelo músico Michael Skye (Rex Smith) e, para que sua paixão fosse correspondida, finge ser mais velha e mente sobre sua religião... Mas, como era de se esperar, ela se enrola em suas mentiras...

"Talvez algum dia", é o nome desse filme super fofo...

Pois é, mostrei para minha filha o trailer dele no You Tube, e confidenciei-lhe que o carinha do filme era o Zac Efron da minha época... rs... Alguém mais lembra desse filme???

quarta-feira, 21 de julho de 2010

E por falar em vingança...



Minha nossa!!! As pessoas andam tão vingativas...

Lí que um americano arrumou uma maneira divertida de se vingar da mulher que o abandonou depois de 12 anos de união: mostrar 101 maneiras inusitadas de usar um vestido de casamento.

No dia em que sua ex-mulher fez a malas e saiu de casa, Kevin Cotter percebeu que o vestido de casamento tinha ficado para trás. Ao questionar a ex-companheira, ele recebeu a sonora e mal educada resposta: "faça o que você quiser!". E foi o que Kevin fez.

Cotter transformou os metros de tecido em tapete para aula de ginástica, pano de prato, pano para engraxar sapatos e até cobertor para proteger o chão de respingos de pintura.

Na internet, o americano de Tucson, no estado do Arizona, mantém um blog (My ex-wife´s wedding dress) onde mostra - com muito orgulho - o que está fazendo com o vestido de casamento da ex-mulher.

Procurada por um programa de TV, a vítima da brincadeira afirmou que não guarda mágoas do ex-marido e que espera que Kevin Cotter seja feliz.

Mas parece que ainda vai demorar um pouco para que isso aconteça, pois ao ser questionado sobre o assunto responde:

"Brincar com o vestido têm sido uma grande distração"

Parece que ele não percebeu ainda que, enquanto estiver focado em sua vingança estará, por tabela, focado em sua ex, deixando assim de mirar naquilo que realmente vale a pena: ser feliz...

sábado, 17 de julho de 2010

Quente ou frio???


A vingança é um prato que é servido frio... Ou o melhor seria dizer que: a vingança é um prato que não deve ser servido, frio ou quente, pois pode tornar-se amargo no final...???

Entretanto, nem sempre agimos de forma altaneira. E, quando nos vemos vilipendiados, injustiçados, engrupidos, passados para trás, enganados ou qualquer outra cousa mais, temos que dar o troco, nos vingar, mostrar que não somos bobos, ensinar uma lição, fazer ver com quantos paus se faz uma canoa...Mas será que vale a pena???

Acho que todo mundo ficou sabendo do caso de traição ocorrido na cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, que foi parar no YouTube, nos sites de notícias, e até no Fantástico, na semana passada... Uma mulher descobriu que o marido tinha um caso com a melhor amiga dela há 5 anos e se vingou, mais da amiga do que do marido, diga-se de passagem...

Na noite de 27 de junho, a advogada Vivian Almeida de Oliveira, de 34 anos, colocou na internet, em sua página da rede de relacionamento Orkut, a prova de que seu marido, o comerciante Cícero Oliveira, de 54 anos, a traíra. As imagens escolhidas por Vivian não eram de um flagrante de adultério... Por dez minutos e 18 segundos, ela aparece num vídeo caseiro falando com sua melhor amiga, a comerciante Juliana Cordeiro, de 33 anos.

A conversa se desenrola na casa de Vivian.

Vivian vai mostrando à amiga as peças de um dossiê montado por ela mesma ao longo de dois meses. São cópias de e-mails trocados entre Cícero e Juliana que confirmam que os dois mantinham um caso havia cinco anos. O vídeo mostra o momento em que a esposa traída confronta a amiga com as evidências de sua impostura, e exige explicações.

Aos poucos, Vivian vai perdendo o controle, até que passa a estapear, empurrar e, finalmente, chutar Juliana caída, enquanto a cobre de insultos. Tudo isso diante da câmera ligada... E oculta.

Uma semana depois do encontro, na noite da quinta-feira 8/07, as imagens constrangedoras já haviam sido vistas por pelo menos 1 milhão de pessoas na internet... e o que era um drama familiar se torna uma novela de domínio público.

Neste caso, a vida privada, virou literalmente uma "privada". Não sei o que passou na cabeça dessa mulher para filmar a própria desgraça e jogar no ventilador... Nem o tal Bruno, ex goleiro do flamengo, que não é advogado, sabe que não se deve produzir provas contra si mesmo...

Essa senhora, ficou tão cega em seu desejo de vingança que, ao gravar e ainda pior, expor para o mundo todo, a traição do marido e da amiga, acabou por atirar no próprio pé. Ela poderá responder vários processos: difamação, exposição da imagem sem autorização, lesão corporal, quebra de sigilo de correspondência eletrônica sem autorização...

Me admira muito ela ser advogada e não ter previsto tudo isto!!! Queria dar uma lição na amiga, poderia ter feito tudo como foi feito, exceto gravar...

Sei não... Mas eu continuo achando, que se existe vingança boa, a melhor é ser feliz!!!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Relações patológicas



Vou trancrever aqui mais uma vez, ipsis litteris, um texto escrito pelo colunista Ivan Martins. Esse texto foi escrito à época do julgamento do casal Nardoni. Sempre me encanta a percepão desse jornalista no que concerne às relações humanas.

"Às vezes as pessoas se ligam por meio de sentimentos ruins.


Todo mundo conhece um casal maluco. São aquelas pessoas que vivem às turras, fazem cenas em público, separam-se a cada par de meses, falam mal um do outro para todo mundo e, inexoravelmente, voltam. Para começar tudo de novo.

Esse tipo de relação doentia é comum. Acredito que a maioria de nós, adultos, já teve algum tipo de experiência com ela. Quem tem sorte sai em pouco tempo. Os azarados ficam no purgatório por anos, com consequências terríveis.

Na madrugada de sexta-feira para sábado, ouvindo a sentença do juiz para o casal Nardoni, tive a súbita percepção de que os condenados, Alexandre e Ana Carolina, viviam esse tipo de relação infernal.

Havia brigas, havia ciúme, havia violência física, tensão e exasperação. Tive a impressão, pelos depoimentos, que existia entre os dois um jogo permanente de exigências, ameaças, chantagens e rendições.

O que quer que tenha acontecido na noite da morte de Isabela foi uma conseqüência da interação atormentada (e, afinal, malévola) entre seu pai e sua madrasta.

Essa constatação não atenua e nem agrava o crime pelo qual os Nardoni foram condenados. Apenas lhe dá uma moldura: a das relações conjugais recheadas de maus sentimentos e alimentadas pelo pior em cada uma das partes.

Mas por que homens e mulheres vivem nessas masmorras afetivas? Eu não sei. Mas sei que a dinâmica dos casais envolve sentimentos complexos, contraditórios e muitas vezes obscuros para os próprios envolvidos.

Além das coisas boas das quais gostamos de falar, (como ternura, desejo e admiração), há nos relacionamentos boa dose de ingredientes inconfessáveis.

Há raiva, dependência e medo. Há dominação e controle. Há perversidade também. As pessoas convivem com essas coisas como convivem com as coisas boas. E vão tocando.

Nas relações patológicas, os sentimentos ruins fornecem a base da ligação do casal. Isso não quer dizer que as pessoas metidas nesse tipo de parceria vão cometer crimes, mas é provável que elas façam muito mal a si mesmas e aos que estão em volta.

Lembro de um conhecido casado com uma mulher terrível: dominadora, encrenqueira, possessiva, capaz de enorme hostilidade. Ela parecia não admitir que o rapaz tivesse relações fora do controle dela. Aos pouco, foi brigando com todos os amigos e com toda a família dele, até isolá-lo dentro do núcleo formado pela família e pelos amigos dela, complemente submissos à sua vontade. Assim, ficaram numa redoma apenas o casal, a filha e a loucura deles. Por vários anos.

Há uma lógica interna nesse tipo de relação que nada tem a ver com a realidade, mas que justifica quase tudo. É nessa zona cinzenta, de compreensão impossível para quem está de fora, que se constrói a cumplicidade apodrecida desses casais malucos.

Mas relações desse tipo, claro, não são estáveis.

Se alguém precisa controlar é por que está morrendo de medo e de insegurança. Se alguém se deixa manipular é por que precisa desesperadamente de atenção. Mas quem se curva o faz com raiva e com ressentimento, que vira e mexe explodem. E quem controla está exasperado com o medo de perder seu poder sobre o outro.

Medo e raiva tornam-se nessas relações sadomasoquistas um cimento tão eficaz como desejo e ternura em uma relação saudável: as pessoas se vinculam e tornam-se ligadas através desses sentimentos. Rebelam-se e retornam a eles.

De qualquer forma, a tensão é imensa e as pessoas se habituam a ela. Passa a ser o ambiente da casa. Quando há filhos, as crianças vivem e respiram nesse clima e, frequentemente, são alvejadas pela loucura dos pais.

Minha tese sobre esse assunto é que as pessoas envolvidas nesse tipo de relação não são necessariamente malucas, mas a interação entre elas é doentia.

A mulher possessiva pode ter um namoro normal com um sujeito que, de alguma forma, a faça tranqüila. Pode ser pelo sexo, pode ser pela dedicação, pode ser por demonstrações práticas de amor.

O mesmo homem submisso pode, em outro contexto, ter uma relação altiva e prazerosa, que desperte nele o prazer da autonomia e da independência.

Em geral é isso que acontece: as pessoas passam por relações neuróticas, aprendem algo sobre si mesmas e dão no pé, em busca de coisa melhor.

Nem todas, porém, agem assim. Por algum motivo, alguns permanecem trancados no inferno das relações disfuncionais. A esses pode acontecer de tudo, inclusive violência e crime. Só não há o risco da felicidade."

(Ivan Martins - Revista Época)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Convivendo com o ex



Um dos efeitos colaterais da nossa liberdade de escolha afetiva é a multiplicação dos ex em nossas vidas. Todo mundo tem um ex ou uma ex.

No passado, quando as pessoas namorava uma única pessoa antes do casamento e permaeciam casadas pela vida inteira, essa figura controversa não existia. Havia ex-presidiário, ex-banqueiro e ex-garota de programa... Mas ex-marido ou ex-mulher, isso era coisa rara.

Hoje em dia, conheço um monte de gente que está no segundo ou terceiro casamento. E a cada um deles corresponde o espectro de um ex...

Alguns são fantasmas bonzinhos, desses que moram quietinhos na memória e, de vez em quando, nos acenam do fundo de um bar. São benignos.

Outros vêem carregados de lembranças dolorosas. Só de avistá-los a pessoa se deprime.

E há o terceiro tipo, verdadeiro morto-vivo, que é o ex que acha que não acabou – e fica ali em volta, ciscando, ligando, mandando mensagens. Encontrá-lo é sempre uma emoção desagradável.

Eu acho isso tudo difícil de lidar, mas não vejo escapatória. Numa sociedade em que as pessoas namoram, se casam, e se relacionam, muitas vezes, é inevitável que andemos por aí esbarrando nos ex.

Claro, essas questões se colocam de forma aguda para quem acabou de se separar. Ou para quem ainda sofre com o ex. Ou para quem carrega divergências inconciliáveis com estes...

Nas separações normais, vivenciadas por pessoas normais, passado o tempo regulamentar e superados sentimentos vis, o ex-casal pode conviver perfeitamente. À distância... Podem encontrar-se socialmente, de quando em quando, e trocar palavras amenas. Nessas ocasiões, é que, nós mulheres, avaliamos discretamente a barriga, os cabelos embranquecidos e a papada dele, e concluímos que tudo piorou... Seres humanos são assim...

Novos cônjuges ou namorados também são objeto de inspeção criteriosa, física e existencial. A rede comum de amigos é empregada para desenterrar detalhes íntimos sobre o sucessor ou sucessora. Se for gente normal, deixa de ser assunto em poucas semanas. E a vida continua.

Eu prefiro pensar que há grandeza nisso. Acreditar na evolução. Uma sociedade em que as pessoas trocam, são trocadas e conseguem tocar a vida sem melodramas é, no mínimo, uma sociedade melhor.

Os conservadores, na sua abissal insegurança, tentam criar um mundo cercado de restrições, que os proteja da dor de serem trocados... e, até mesmo, da eventual dor de trocar...

Mas, na geografia em que vivemos, esse mundo não mais existe. Ele só pode ser recriado, no espaço da vida de um casal, através do controle e da servidão doentia. Ainda assim será precário e triste. Ao final, ilusório.

No mundo real, a fila anda, como disse uma vez o Fábio Júnior, depois da décima separação. Tenho a impressão, aliás, de que a nossa vida começa a se parecer com a vida dos artistas...

E há, ainda, a divulgação pública de tudo que nos acontece, pelas redes sociais. Mesmo o anônimo mais sem graça tem uma audiência, no Orkut ou no Facebook, com quem dividir seu último sucesso ou insucesso amoroso. Todos nós temos plateia e suspeito que, mesmo inconscientemente, atuamos para ela. Nós e nossos ex nos tornamos parte de uma novela que está o ar 24 horas por dia na internet.

Como eu já disse, não vejo muito remédio contra isso. Quem se relacionar no mundo moderno vai esbarrar nessa promiscuidade, ainda que não se engaje nela diretamente. Se o seu ex está na rede, um pedaço seu está lá.

Um jeito de evitar o pior talvez seja relacionar-se fora do meio profissional ou do grupo de amigos. Se algum dia a relação acabar, você não terá de ver sua ex-pessoa toda hora, nem ouvir a fofocas sobre o que ela faz ou deixa de fazer.

Porém, a dica mais útil, e infinitamente mais séria, é examinar com cuidado o caráter da mulher ou do homem a quem você vai se relacionar, especialmente se quiser ter filhos. Não há nada pior do que achar-se ligado pelo resto da vida a uma pessoa escrota.

Sabe, mesmo aquilo que é difícil torna-se é mais fácil quando se está tratando com gente de bem.

Em relação à figura do ex ou da ex, a grande advertência é que eles não vão desaparecer porque nos cansamos deles. As pessoas com quem a gente se relacionou de forma duradoura fazem de alguma forma parte da nossa vida. Ficam lá em algum formato de arquivo.

Se você tem um ex que está sempre ao redor, aceite isso. E cuide para que o seu novo parceiro ou parceira também aceite. Num mundo como o nosso, em que nada é permanente, a capacidade de lidar com o passado deve ser parte do teste de admissão.

Quem não sabe lidar com os seus próprios ex ou tem problemas com os ex dos outros não merece a vaga. Não está a altura da titularidade.