quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Casados Carentes



Por que eles agem como se fossem solteiros?

"Acho que toda mulher adulta conhece um deles: simpático, sedutor, carente e ... casado. Alguns são muito jovens, a maioria nem tanto. Todos têm em comum o olhar faminto, a mal disfarçada insatisfação com a vida conjugal e uma postura ambígua que pode ser resumida da seguinte maneira: eu não vou avançar o sinal, mas, se você sugerir, vou adorar.

São os casados carentes.

Entre eles, os homens são maioria, mas já conheci várias mulheres. Por alguma razão, o casamento não traz serenidade para essas pessoas. Produz angústia, inquietação, aprisionamento.

É um paradoxo. Ao casar, o sujeito deveria ficar feliz por ter encontrado alguém. Mas não. Ele sofre com a impossibilidade de ter todo o resto. Por isso os casados carentes se debatem contra os limites que inventaram para si mesmos. Por isso se insinuam para as pessoas ao redor deles, com maior ou menor sucesso. Por isso, violam, todos os dias, a única regra inviolável do casamento: não expor o seu parceiro ao ridículo.

Por que as pessoas fazem isso? Por algumas razões, eu imagino.

A primeira, óbvia, é que nem todo mundo é feliz no casamento. Nem todo mundo sabe o que está fazendo quando se casa – por ser jovem, por estar perdido, por querer deixar a casa dos pais, por estar grávida e assustada, ou por ter engravidado alguém e estar assustado. Há inúmeras razões para um mau casamento, mas quase todas desembocam no mesmo tipo de atitude: aqueles que se casam errado convivem de forma contrariada com a instituição.

Uma segunda razão, mais profunda, é que nem todos são capazes de ser feliz no casamento, por mais bacana que este seja. Essas pessoas logo descobrem que não vivem bem na companhia do outro. Percebem que a vida comum cai neles como uma roupa apertada. Ao notar isso, deveriam ser capazes de conversar e ir embora. Mas não. Eles ficam, e aí começam as indignidades.

Se existe uma regra sobre os casados carentes é que eles foram, antes, solteiros carentes.

Pessoas assim imaginam que casar resolverá a ansiedade, acabará com a angústia, trará paz. Obviamente não acontece assim. Os seres humanos levam para as suas relações aquilo de que são feitos. Assim, em pouco tempo de casado, fica evidente que a outra pessoa não vai preencher a vida de quem tem um buraco na alma. Os carentes precisam de uma multidão.

Se a gente não os leva a sérios, percebe que são bobos, hesitantes, coquetes no caso das mulheres. Se você resolve envolver-se com eles, descobre que embarcou num turbilhão. Já tive as duas experiências abundantemente: ser o carente e gostar do carente. Nenhuma delas é boa. As duas são vexatórias. Ainda não inventaram nada que substitua um ser humano que sabe o que deseja e escolheu você. Os carentes, casados ou não, vivem em dúvida. Escolhem todo mundo e vivem apenas para eles mesmos."

Ivan Martins


Mais uma vez o Ivan Martins arrasou!!! Conheço muito homens-casados-carentes-sedutores e algumas mulheres-casadas-carentes-coquetes... Só nunca tinha chegado à essa idéia que ele nos coloca tão bem nesse texto: essa turma é mal resolvida desde sempre. Eram solteiros carentes que pegaram o primeiro "papelzinho que passou na ventania"... e agora vivem por aí ciscando, mas jamais abrem mão da zona de conforto.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Dever de Sonhar



Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis.

Fernando Pessoa

(Dubrovnik)

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Fernando Pessoa

De que são feitos os dias dos poetas?


"De que são feitos os dias dos poetas?
De poesias, de alegria, de amor, de tudo o que for!
São feitos com o sorriso das crianças.
Com pequenas e doces lembranças,
Com o desabafo das dores,
Com a união de novos amores,
Com os infinitos desejos,
Com o desabrochar das flores,
E com o interesse de cada um dos leitores."

P.G.K.S.

Estava buscando na net um poema sobre "poetas" e encontrei esse poeminha muito fofo, em uma puplicação escolar. Ele foi escrito por menino de 13 anos, que bem poderia ser meu filho. E pasmem, essa minha afirmação não é só porque eu tenho uma filha na mesma idade que o pequeno poeta, ao ler o nome do autor e sua filiação quase caí pra trás ao descobrir que namorei o pai dele... Que mundo pequeno!!!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Morrendo de amor


Uma colega de trabalho está morrendo de amor. E o mais incrível é que ela se orgulha disso. Mostra a todos como está "secando" por amor, que as saias estão caindo, como os seus olhos estão fundos pela insônia, apesar dos dois comprimidos de rivotril que ingere todas as noites...

O namorado terminou com ela a cerca de um mês, e assim como tornava público todos os passos do namoro, através de um site de relacionamento, também tornou público o rompimento.

Ela morre, orgulhosamente, de amor... Acredito que morram de amor somente aqueles que não tinham vida antes de um relacionamento. Pois os bons amores nos preparam para a vida, e não para a morte.

Essa colega de trabalho não está passando pelo luto de uma mulher que perdeu o seu homem, mas pelo desespero de uma criança órfã.

A vida não é um bem tranferível, nem gociável, portanto, não pode ser delegada a terceiros. Aqueles que precisam dos outros para viver correm o risco de morrer no abandono.

Alguns dos meus amores me custaram noites mal dormidas, muitas lágrimas e soluços, e algumas vezes um pedaço do meu coração... mas nunca a minha vida.

Com tudo isso, amadurecí e dicidí que os homens que passassem pela minha vida dalí por diante seriam a cerejinha do meu sorvete, e nunca o sorvete. Até hoje repito isso como um mantra sagrado.

A cereja pode até tornar o sorvete mais bonito, porém, nunca será mais importante do que ele...

Essa colega precisa entender que a gente só ama realmente quando vive uma existência real, que se sustenta nos próprios pés... Uma vida deve ser melhorada pelo amor e não sustentada por ele.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Arrumando o armário



Lars Lindstrom é um jovem tímido que mora isolado do mundo, na garagem da casa de seu irmão mais velho e de sua cunhada. Tem 27 anos, mas não gosta de sair, nem mesmo para tomar café com a família, apesar dos esforços quase acrobáticos de sua cunhada. Só sai para ir ao trabalho e à igreja. Mas um dia ele aparece na casa do irmão e avisa que vai trazer Bianca, sua namorada, uma linda missionária religiosa, meio dinamarquesa, meio brasileira, que não fala inglês. Bianca não caminha e precisa de uma cadeira de rodas, já que a sua foi roubada. Lars pergunta ainda se ela pode se hospedar na casa deles porque, como ambos são religiosos e solteiros, não acham correto ficar sob o mesmo teto. O irmão e a cunhada, que se preocupam com a solidão de Lars, ficam exultantes. Muito animados, arrumam o quarto de hóspedes e preparam o jantar. Em seguida, Lars aparece com a namorada. Então eles descobrem que Bianca na verdade é uma boneca inflável, daquelas de silicone em tamanho natural utilizadas para objetivos sexuais... Porém, Lars fantasia em sua cabeça que ela é real.

Este é o enredo de um filme que pega a alma da gente pelo pescoço e bota ela no colo para um diálogo de delicadezas.

A grande história do filme é como a família, a médica e a comunidade da cidadezinha lidam com a suposta maluquice de Lars naquele inverno. Depois do jantar de apresentação, a cunhada sugere que Bianca possa estar estressada com tudo o que viveu nos últimos tempos. Deveriam levá-la a uma médica conhecida, que também é psicóloga, para um check-up. Depois de examinar Bianca com o estetoscópio e auscultar a situação com os olhos e os ouvidos, esta médica diz que não lhe parece que Lars tenha uma doença mental que o leve a uma internação. Do jeito dele, Lars leva a sua vida, trabalha e não machuca ninguém. Para ela, Bianca chegou por algum bom motivo. Lars criou Bianca para ajudá-lo a resolver um conflito. Quando o conflito for solucionado, Bianca poderá partir.

Neste caso, diz ela, o melhor a fazer é acolher Bianca. "Mas ela é uma fantasia", diz o irmão. "Não", diz a médica, "ela é real". Está bem ali, na sala de espera do consultório. Para Lars ela é real – e este é o título traduzido do inglês ("Lars e a garota real"). "Mas vão rir dele", retruca o irmão. A médica dá uma olhadinha e afirma: "E de vocês também". Na manhã seguinte , o irmão não se contém e diz para Lars que Bianca "é só uma coisa de plástico". Lars dá um sorrisinho, cochicha com Bianca e explica: "Bianca diz que Deus a criou assim para poder ajudar os outros".

Interessante é que a médica convence a todos na cidade a lidar com Bianca como se fosse uma pessoa de verdade.

A partir deste momento, o filme conta como a cidade acolheu a Bianca de Lars. Ou melhor, como acolheu Lars. É graças a esse namoro, que Lars consegue se aproximar de ter uma virda normal, em contato com as outras pessoas. Ele começa a jantar coma família. Frequentar festas e até mesmo interagir com as pessoas do escritório. Bianca traz um novo mundo de convivência para Lars, fazendo com que ele descubra as pessoas que realmente gostam dele.

Embora a realidade dele parecesse bizarra para todos – e para cada um à sua maneira – não o julgaram. Apenas o acolheram. Esvaziaram-se de seus preconceitos para alcançá-lo, ainda que não pudessem entendê-lo. Não podiam entendê-lo nem ver o que ele via, mas podiam amá-lo. Em vez de destruí-lo porque não podiam entendê-lo, como acontece habitualmente, o amaram mais.

Se um Lars aparecesse perto de nós – e a verdade é que volta e meia aparece algum –, o mais provável seria enquadrá-lo no escaninho de alguma doença mental e dopá-lo.

Antes da luta antimanicomial, os hospícios estavam cheios de gente parecida com Lars. Malucos, lunáticos, delirantes, loucos, fora da casinha... Gente que, mesmo não tendo nenhum traço de violência, nos perturba porque ouve vozes que não ouvimos, considera real o que para nós é fantasia, desafia nossa suposta normalidade. Gente que, com a sua diferença, nos perturba tanto que só conseguimos dar uma resposta violenta: a rejeição.

E aí eu me pergunto: quanto de nós que nos auto classificamos de "normais", rejeitando aqueles que julgamos anormais, não temos as nossa bonecas infláveis???

É uma pena que precisemos tanto de julgamentos sobre o que é um comportamento normal ou não, e esquecemos de olhar para a nossa própria vida, com a honestidade necessária, para perceber que cada um de nós acredita em coisas muito estranhas e
bizarras... Talvez as nossas bonecas possuam formatos diversos, porém, não menos bizarros: namorados infláveis, empregos infláveis...

É triste viver num mundo onde diante de qualquer diferença, mesmo que de opinião, seja preciso cair matando. Que gente tão insegura e pobre de espírito nos tornamos para temermos tanto aqueles diferentes de nós???

Sempre que vejo alguém desqualificando um outro por suas ideias, suas preferências e suas crenças, fico pensando: será que esta pessoa tem uma vida tão sensacional que todas as outras precisam ser esculhambadas??? Desconfio que seja exatamente o contrário.

Acho que, em alguma medida, todos nós temos bonecas infláveis que nos ajudam na tarefa complicada que é viver. Especialmente quando essa tarefa fica muito difícil.

Seria tão bom se conseguíssemos amar melhor o próximo... pois não há nada mais fora da casinha do que sacar a metralhadora de certezas e disparar por aí quando temos os nossos armários repletos de pequenas bonecas infláveis e outras bujingangas emocionais que nos são essenciais.

Amizade faz bem à saúde...


Pense duas vezes antes de recusar um programa com os amigos porque não quer perder a academia. Para a longevidade, o impacto de ter uma vida social ativa é tão importante quanto o de não fumar, e maior do que o de fazer exercícios e manter um peso saudável, aponta uma pesquisa divulgada nesta semana. Penso que o ideal é ir à academia e fazer amigos também lá...

Segundo uma reportagem publicada na revista Time, pesquisadores da Universidade Brigham Young e da Universidade da Carolina do Norte reuniram dados de 148 estudos sobre saúde e relacionamentos para chegar à conclusão de que as pessoas com menos laços sociais tiveram uma chance de morte 50% maior no período de sete anos e meio em que foram acompanhadas pelos cientistas.

Ainda não se sabe ao certo como amigos influenciam a longevidade. Mas os pesquisadores conjecturam algumas hipóteses: estar entre gente querida, ou sentir-se solitário, pode afetar a pressão sanguínea e o ritmo cardíaco.

Neste fim de semana, que tal reunir os amigos??? Eu vou reunir os meus no sábado a noite para saborear uma receita que aprendi na Itália... rir muito e jogar bastante conversa fora... Amo muito tudo isso!!!