sábado, 30 de maio de 2009

Tomara-que-caia...



Eu sou uma apaixonada por modelos tomara-que-caia, por isso resolvi pesquisar o assunto para não fazer feio, para saber se posso usar, e por quanto tempo ainda poderei fazer uso... Foi aí que encontrei essa matéria com dicas preciosas sobre o assunto...

O texto abaixo é de Ruth de Aquino e foi extraído da coluna 'Mulher 7x7' da Revista Época.

"É uma cena recorrente. No calor, sempre tem alguma mulher de tomara-que-caia puxando o vestido pra cima e ajeitando os seios. Quando o corpo ajuda e o design também, um tomara-que-caia bem cortado causa sensação. Pode fazer padre tropeçar na batina e bater com a cara no poste. Mas, quando está tudo errado, o efeito é o oposto. Sabe quando os seios se tornam duas almofadas perto do pescoço? Em vez de sexy, uma mulher pode parecer mais velha ou mais gorda com um tomara-que-caia. É um perigo.

Quando vi ontem a atriz Susana Vieira de longo laranja rodado tomara-que-caia em Portugal, resolvi perguntar a duas estilistas, Costanza Pascolatto e Gloria Kalil, quem pode usar esse tipo de vestido sem risco. Não perguntei em proveito próprio. Além de não ter nada a ver comigo, eu não me sentiria confortável – e quando não me sinto confortável, é impossível eu me sentir bem e, menos ainda, sensual ou desejada. Mas admiro as mulheres que ousam e ficam lindas com um tomara-que-caia.

Diz a lenda que o primeiro tomara-que-caia que causou foi o da atriz Rita Hayworth (foto) no filme Gilda, em 1946. Ela canta Put the Blame on Mame usando um modelo de cetim e luvas compridas. Divina.

Mesmo sem ser Gilda, é possível usar tomara-que-caia com classe. Hoje, é o modelo de decote favorito das noivas. Aí vão 14 dicas de duas mulheres que entendem tudo.


Glorinha Kalil

1 - Quem tem corpo curto não deve usar. Porque fica sem espaço entre o pescoço e a cintura.

2 - Seios grandes são um complicador. O vestido muito estruturado joga os seios para cima, junto aos braços. Se o vestido não tiver estrutura, os seios ficam meio achatados e caídos – e o vestido pode acabar caindo também com o peso.

3 - Tomara-que-caia exige cintura fina. Estômago saliente fica mais saliente ainda. De perfil, fica feio. As muito baixinhas e sem cintura parecem uma salsicha num tomara-que-caia muito justo.

4 - As costas precisam ser magras. Senão, o vestido faz umas pregas, uns rolinhos nas costas, alem de saltar gordura por cima.

5 - Quem tem seios pequenos precisa ajustar o vestido ao corpo como uma segunda pele, não pode ser frouxo, senão despenca.

6 - Não há limite de idade. O mais importante para vestir bem um tomara-que-caia é a qualidade dos braços. Mulheres mais velhas com braços razoáveis podem ficar elegantes com vestidos sem alça, no modelo apropriado.

7 - A pele tem de ser boa. No tomara-que-caia, o colo fica na bandeja, na altura do olho. Mostra o que você tem de melhor. Ou de pior.


Costanza Pascolatto

1 - O bronzeado da brasileira valoriza o tomara-que-caia. As muito brancas não ficam tão bem. Dá um certo enjoo ver toda aquela alvura exibida: braços, costas, colo. Para as branquinhas, é melhor que o vestido seja de cor escura, para dar contraste. Evitem o bege, o creme.

2 - Mulheres com ombros estreitos e redondos não deveriam usar tomara-que-caia.

3 - Dependendo de como estão os braços, a mulher deve desistir até de usar roupas sem mangas. Porque envelhece mostrar o que não se tem mais de bom.

4 - Há os tomara-que-caia informais e os de alta costura. As brasileiras, claro, não vão usar esses vestidos caríssimos das atrizes de Hollywood. Ninguém sai em Copacabana com uma roupa que parece uma escultura.

5 - Alguns tomara-que-caia vintage são arriscados, porque têm uma forma antiquada de peito, e o decote profundo não ajuda a ficar elegante.

6 - São mais seguros os estruturados, com barbatanas entre dois tecidos, o de dentro e o de fora.

7 - O ideal é que o vestido não apareça mais do que a mulher. O tomara-que-caia não deve ser tão chamativo a ponto de ficar em primeiro plano. E não pode ser dois números abaixo do tamanho da mulher. Tomara-que-caia apertado demais não é sexy."

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Estilo de Princesa com Nina Garcia



Nina Garcia é diretora de moda da Elle America, mas tornou-se bem mais conhecida do grande público depois que participou como jurada do Project Runway.

Linda, charmosa, chic e sexy sem ser vulgar, aqui ela divide seus segredos de estilo. Nada mal para quem passou mais de 10 anos participando de desfiles e festas e assistindo de perto o vaivém das tendências.

As princesas daqui já sabem que não dá para ser única e especial usando somente o que está na moda, ou copiando um estilo que não é seu... ë preciso criar, ser livre, brincar mais com o guarda-roupa. Para ter um estilo só seu, é preciso mudar as regras e ignorar muitas tendências (ê palavrinha chata), por mais difícil que isso possa parecer.

Autora de 2 livros super comentados atualmente, The Little Black Book of Style e The One Hundred, Nina Garcia dá sua receita.



1) Seja uma editora de seu próprio guarda-roupa

Com a experiência de anos de uma editora de moda expert em colocar na revista somente os ítens mais-mais dos desfiles, Nina diz que este é um conselho de ouro a ser aplicado em nosso guarda-roupa. Devemos ter somente peças maravilhosas, assim fica muito mais fácil ser uma princesa em grande estilo. Ela sugere que a gente arrume o guarda-roupa seguindo esse critério - o de manter somente as peças "uau" e se educar para comprar assim daquele dia em diante. Você nunca mais vai olhar para suas roupitchas e dizer que não tem o que usar, segundo Nina.

2) Invista nos básicos (sempre!)

Os básicos são na verdade aquelas peças essenciais, base (como o nome diz) para um look legal, e que nunca saem de moda. São peças atemporais, que transitam por vários lugares, climas, países, estações - e por isso mesmo merecem um pouco mais de investimento. Vocês vão ver que algumas delas podem se tornar sua assinatura:

. pretinho básico
. camisa de corte masculina branca
. cardiga de cashmere
. trench coat
. calça jeans
. um bom relógio masculino (grande, pesado, ela quer dizer)
. diamantes
. sapatilhas
. um sapato de salto fino
. uma bolsa fantástica

A coisa que mais me irrita nessas listas é a questão da cor - eu, por exemplo, dificilmente uso preto, pois não é minha melhor cor, então pra que vou fazer um investimento num LBD (little black dress), mesmo sendo ele um clássico? Ele não é um clássico para mim. Ou para uma pessoa que tenha um guarda-roupa mega colorido, porque se sente bem assim, um vestido preto não vai ter nada a ver com ela mesmo. Então a gente pega a idéia das coisas, mas não precisa seguir à risca, ok?

Outra observação - se você não está num momento para fazer um investimento mais alto, saiba que a gente consegue encontrar ítens de qualidade a preços bem acessíveis. Lembre-se que as coisas não podem parecer baratas - o que não quer dizer que elas não podem ser baratas, desde que tenham o mínimo de qualidade. Saber garimpar e ter bons olhos é uma arte.

3) Encontre uma boa costureira

Ah, essa é boa mesmo!!! Mesmo que fosse apenas para pequenos consertos, já valeria e muito a pena. Arrumar o comprimento da manga dos blazers, o comprimento de calças, saias e vestidos, ajustar a cintura de calças, principalmente as jeans, é tarefa de poucos! Agora pense em poder reproduzir aquela roupa que você comprou e gosta tanto em outras cores!

4) Não subestime o poder dos acessórios

Jamais!!! Hoje mesmo eu comprei 4 ítens novos por um valor menor que uma blusa!!! Quantos looks eles irão transformar??? Nem eu mesma sei...
E aqui Nina justifica dizendo que se a gente engorda um pouquinho, a calça skinny logo denuncia, mas os sapatos, colares e bolsas não, eles estão lá, a seu lado!!! E esta é outra chance de fazer sua assinatura pessoal. Use algo que tenha um significado para você - uma jóia de família, como um broche, ou um anel antigo pendurado como pingente, e você irá se destacar na multidão.

5) Aprenda a misturar

Nina garante que tudo que inicialmente pareça não fazer sentido pode dar uma ótima mistura. Bem, essa é uma tarefa para poucos, não é qualquer pessoa que consegue extrair o belo de coisas inicialmente distintas. Mas o interessante é isso mesmo, é fazer o inesperado, o que ninguém faz. Para as iniciantes, um exemplo fácil é misturar peças românticas com ítens mais pesados, rockers ou masculinos, que tal tentar??? Ou ainda a antiga dúvida de se misturar diferentes tons de acessórios, como dourado, cobre e prateado. Sim, gente, dá super certo, desde que se observe linhas similares nas peças em questão - ou tudo grande, ou tudo pequeno, ou linhas arrendondadas, ou mais angulares, e por aí vai, ok???

6) Dê a devida importância aos sapatos

Ela diz que uma pessoa nunca terá sapatos (de salto) o suficiente. E alguém discorda??? rs... De salto ou não, os sapatos, e não os diamantes, são os melhores amigos de uma mulher. Um sapato é poderosíssimo - pode mudar sua atitude, seu humor, sua postura, pode transformar um look chato em estilosérrimo, pode alongaaaar as pernas, deixá-las mais belas e torneadas. Quantas coisas no mundo tem tamanho poder? Nina ama tanto seus sapatos que disse começar a compor seu visual por eles. Mas mesmo aqui há algumas regras importantes, como ter os pés sempre feitos, não usar saltos se você não souber andar com eles e não usar saltos muito altos com saias curtas - lembre-se de Julia Roberts em Uma Linda Mulher!


7) não seja uma vítima da moda

Sabem como identificar uma fashion victim? Ela estará usando uma it-bag, inúmeros ítems de designer juntos (especialmente logotipados), e 3 ou 4 peças que saíram na última Vogue (eu achei a Nina além de linda, divertida!). Mas vamos lá: a it-bag, quando tratamos de moda e estilo, é o equivalente a moda, e quem quer ser única quer estilo, portanto... não vai atrás de algo que todo mundo tem. Usar peças de grife não é ruim não, mas realmente sair por aí com logo para tudo que é lado não está com nada. E usar 1 ou 2 peças da última Vogue mostra que voc6e é super antenada, mas sair montada com o look da revista da cabeça aos pés mostra falta de criatividade!!!

8) Aprenda que não é uma questão de dinheiro

Olha que super definição de Nina Garcia - A moda é cara, o estilo não. Não é demais? Ou as antigas, dinheiro não é sinônimo de bom gosto, e etc e tal. O mais bacana daqui é saber onde economizar (save) e onde investir mesmo (splurge) (por exemplo, dá para economizar num lápis de olho, mas tem que investir num bom rímel, concordam?).

9) Compre peças dramáticas

Aqui ela reenforça o ítem 1 - gaste dinheiro em peças únicas, que chamem atenção, "dramáticas" mesmo, como por exemplo um anel grande, um casaco de oncinha (!!!), um vestido de impacto, sandálias de tiras douradas ou prateadas, e por aí vai.

10) O imperfeito é perfeito

Essa é muito boa - Nina chama esta regra de "O Fator Kate Moss). Nada mais é do que não parecer que você está pronta para uma sessão de fotos. Vejam Kate, o cabelo está bagunçado, os acessórios nem sempre combinam, e ainda assim ela é idolatrada.

Na verdade isso exige um super domínio de técnica, pois a distância entre um look lindamente desarrumado e parecer que você caiu da cama e mergulhou no guarda-roupa pode nem se tão grande assim. Mas confesso que também acho arrumadinho meio irritante. Eu, por exemplo, gosto do coquinho que as meninas usam,ainda que seja prendendo um cabelo perfeitamente escovado... maquiar os olhos e costumo não passar batom, apenas o bom e velho Chapstick, para não parecer aquela coisa maquiaaada.

É, gente, o estilo super se constrói... Bjão!!!

PS: Esse lindo vestido azul turquesa, que ilustra a postagem, é uma criação do estilista americano Isaac Mizrahi.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Ser legal



Todo mundo quer ser legal, e todo mundo se ferra na empreitada. É difícil ser legal o tempo inteiro. A gente consegue ser legal a maior parte do tempo, mas aí faz uma besteira e pronto: tudo o que você fez de bom é imediatamente esquecido e você se torna apenas aquele que fez a grande besteira. Aí você precisa de mais uns dois meses sendo exclusivamente legal para todo mundo esquecer da besteira. E quando eles esquecem, você faz outra, claro.

Mas você é legal. Você é simpático com os amigos, dá sempre uma força quando eles precisam. Você puxa papo com o garçom, abre a porta do elevador para sua vizinha entrar, você acaricia a cabeça das criancinhas, você até empresta seus DVDs.

Porém, tem hora que é imprescindível chutar o balde. Tem hora que é fundamental deixar a verdade nua e crua vir à tona. Tem hora que você precisa dizer para o seu namorado: eu te adoro, mas quero ficar sozinha hoje à noite, qual é o problema??? O problema é que ele fica com raiva...

E tem aquela amiga que pede aquele seu vestido de festa emprestado... Mas logo aquele??? Pela primeira vez você diz que não está afim de emprestar... Imediatamente você deixa de ser uma pessoa legal...

E aí você passa a achar que não tem vocação pra ser legal o tempo inteiro. E é verdade. Ninguém tem. Olha é cansativo, desgastante e humanamente impossível...

O fato é, que já somos legais à beça só por tentar... Tem gente que nem isso.

terça-feira, 26 de maio de 2009

A uma princesa




Em teus olhos mouros de noite calma,
Em beijos lançados no ar e nos lábios,
Em gritos exactos como astrolábios,
Encontro aquele porto onde repousa a alma.

Balouçando como uma bailarina
Entre a tristeza e a alegria perfeitas
Recolhes a mais bela das colheitas:
O seres quem és, luz que te ilumina.

Princesa forte, sensível, real,
Que segredos guardam teus universos?
Que sonhos inventas de ouro e cristal?

És a inspiração e os próprios versos
Que fluem livres num imenso caudal
De correntes fundas e mares insubmersos.

Jorge Simões

domingo, 24 de maio de 2009

Encerrando ciclos



Esse texto de Fernando Pessoa encerra muitas verdades... Realmente é muito bom fechar ciclos, encerrar capítulos e recomeçar com a certeza de que você foi leal, íntegro, verdadeiro e que fez o seu melhor... Isso dá sensação de alma lavada e a certeza de dias melhores.
Pessoas que não coseguem encerrar, finalizar e recomeçar não vivem; são como cães correndo atrás do próprio rabo.

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.

O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..

E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"

Fernando Pessoa


"Errar é humano, mas quando a borracha se gasta mais do que o lápis, você está, com toda certeza, exagerando."

(J. Jenkis)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Longe é um lugar que não existe...




Lí essa história há alguns anos e me encantou por ser simples e ao mesmo tempo muito profunda... Agora com a proximidade do 12º aniversário da minha filha sentí vontade reler e compartilhar, postando-a no Blog...

Rae Hansen, uma menina às vésperas de seus cinco anos, convida o amigo Richard Bach para sua festa de aniversário. Confiante, ela o espera, apesar de saber que sua casa ficava além dos desertos, tempestades e montanhas…

Como Richard Bach chega até lá é narrado nessa história mágica. Este clássico continua a inspirar as relações de amizade que não mais dependem de tempo nem de espaço.

Quem já voou nas asas da gaivota encontrará aqui muitos pensamentos para compartilhar "até que finalmente acabará descobrindo que não precisa do pássaro para voar sozinho acima da quietude das nuvens" e "que as únicas coisas que importam são aquelas feitas de verdade e alegria". Segue abaixo um pequeno resumo dessa história…

"- Rae! Obrigado pôr me convidar para a sua festa de aniversário!". Sua casa fica a mil quilômetros da minha e viajo apenas pela melhor das razões... E uma festa para Rae é a melhor, e estou ansioso para estar ao seu lado.

Começo a viagem no coração do Beija-Flor, que há tanto tempo você e eu conhecemos...

Ele se mostrou amigo como sempre, mas ficou espantado quando lhe disse que a pequena Rae estava crescendo e que eu estava indo à sua festa de aniversário, levando um presente.

Voamos algum tempo em silêncio, até que finalmente ele disse:
- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é o fato de estar indo a uma festa.
- Claro que estou indo à festa. - respondi. - O que há de tão difícil de se compreender nisso?
Ele ficou calado e só voltou a falar quando chegamos à casa da coruja:
- Podem os quilômetros separar-nos realmente dos amigos? Se quer estar com Rae, já não está lá?

- A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. - falei para a coruja. Parecia estranho dizer "indo" depois da conversa com Beija-Flor, mas falei assim mesmo para que Coruja compreendesse.

Ela voou em silêncio pôr um longo tempo...
Era um silêncio amistoso, mas Coruja disse ao me deixar em segurança na casa da águia:
- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é ter chamado sua amiga de pequena.
- Claro que ela é pequena, porque não é crescida - respondi. - O que há de tão difícil de se compreender nisso?
A Coruja fitou-me com os olhos profundos, cor de âmbar, sorriu e disse:
- Pense a respeito.

- A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. - falei para Águia. Parecia estranho falar agora "indo" e "pequena", depois das conversas com o Beija-Flor e a Coruja, mas falei assim mesmo para que a Águia compreendesse.

Voamos juntos, subindo nos ventos das montanhas.

E Águia finalmente disse :
- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é essa palavra aniversário.
- Claro que é aniversário. - respondi. - Vamos comemorar a hora que Rae começou e antes da qual ela não era. O que há de tão difícil de se compreender nisso?

A Águia curvou as asas para a descida e foi pousar suavemente sobre a areia do deserto.
- Um tempo antes de Rae começar? Não acha que é mais a vida de Rae que começou antes que o tempo existisse?

- A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. - falei para o Gavião. Parecia estranho falar "indo", "pequena" e "aniversário", depois das conversas com Beija-Flor, Coruja e Águia, mas falei assim mesmo para que o Gavião compreendesse.

O deserto se estendia interminavelmente lá embaixo e ele finalmente disse:

- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é crescendo.
- Claro que ela está crescendo - respondi. - Rae está mais perto de ser adulta, mais longe de ser criança. O que há de tão difícil de se compreender nisso?
O Gavião pousou finalmente numa praia deserta.
- Mais um ano longe de ser criança? Isso não me parece ser o mesmo que crescer.
E Gavião alçou vôo e foi embora.

Eu conhecia o bom senso de Gaivota. Voamos juntos, pensei com muito cuidado e escolhi as palavras, a fim de que, ao falar, a Gaivota soubesse que eu estava aprendendo:
- Gaivota, por que está me levando a voar para ver Rae, quando na verdade sabe que estou com ela?
A Gaivota sobrevoou o mar, as colinas, as ruas e pousou suavemente em seu telhado e disse:
- Porque o importante é você saber a verdade. Até saber, até realmente compreender, só pode demonstrá-la em coisas menores, com ajuda externa, de máquinas e pessoas e pássaros. Mas deve se lembrar sempre que não saber, não impede a verdade de ser verdadeira.

E a Gaivota se foi.

Richard Bach