sábado, 6 de novembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
O rodeio dos imbecis

Numa época em que notícias de absurdos se tornaram a norma, essa conseguiu me surprender... Surprendeu pelo absurdo, pela grosseria, pela falta do mínimo de educação e respeito ao ser humano. E de onde veio esse péssimo exemplo??? De um núcleo universitário, de uma "elite" da população brasileira. Dizer o quê disso??? Dizer o óbvio: faltou um simples gesto de educação, de ensinar boas maneiras, de ensinar a se ter respeito pelos semelhantes. Punição virá??? Creio que não, o Brasil não vive de punições exemplares, daquelas que nos dão parâmetros. Lamentavelmente, essa notícia se tornará apenas "mais uma" nesse inesgotável arsenal de absurdos que a sociedade brasileira se especializou em criar. Pobre país o nosso que tem uma juventude como essa...
Abaixo transcrevo o texto da jornalista Ruth Aquino da Revista Época.
"Universitários que “montam” à força em colegas gordas, numa competição para ver “qual peão” fica mais tempo sobre as meninas, são o retrato cru de uma sociedade doente e sem noção. O “rodeio das gordas” aconteceu em outubro em jogos oficiais de uma universidade importante, a Unesp, em São Paulo – não em algum rincão remoto. Não envolveu capiau nem analfabeto. Foi a elite brasileira, a que chega à universidade. Estamos no século XXI e assistimos perplexos à globalização da ignorância moral.
Mais de 50 rapazes, da Universidade Estadual Paulista, organizaram o ataque às gordas num evento esportivo e cultural com 15 mil universitários. Uma comunidade no Orkut definiu as regras: “Todo peão deve permanecer oito segundos segurando a gorda”; “gordas bandidas são mais valiosas”; “o corpo da gorda tem de ser grande, bem grande”. Os estudantes se aproximavam das meninas como se fossem paquerá-las. Aproveitavam para agarrá-las e montar nelas, e as que mais lutavam contra a agressão eram apelidadas de “gordas bandidas”. Uma referência ao touro Bandido, personagem da novela América. “A cada coice tomado, o peão guerreiro ganha 1 ponto”, anunciava o site de relacionamento.
A repercussão assustou os universitários. Roberto Negrini, um dos organizadores do torneio e filho de advogada, chamou tudo de “brincadeira”, mas pediu desculpas à diretoria da Unesp e se disse arrependido. Tentou convencer a todos de que “não houve preconceito”. Sites e blogs foram invadidos por comentários indignados. Mas havia muitos homens aplaudindo “a criatividade” dos estudantes. O internauta Arnaldo César Almeida, de São Paulo, propôs transformar a competição num “esporte olímpico”. Outro, que se identificou como Alexandre, escreveu: “Me divirto vendo esses kibes (sic) humanos dando coice! Vou até instalar uma baleia mecânica para treinar”.
Quem são os pais e as mães desses rapazes? A maior responsabilidade é da família. O que fez ou onde estava quem deveria tê-los educado com valores mínimos de cortesia e respeito ao próximo? Jovens adultos que agem assim foram, de alguma maneira, ignorados por seus pais ou receberam péssimos exemplos em casa e na comunidade onde cresceram.
O “rodeio das gordas”, promovido nos jogos da Unesp, é o retrato de uma sociedade doente
Não foi uma semana edificante. Meninas adolescentes, numa escola paulista em Mogi das Cruzes, trocaram socos. A mais agredida, de 14 anos, disse: “Alguns têm dó, mas outros ficam rindo porque eu apanhei”. Em Brasília, uma estudante usou a lâmina do apontador para navalhar o rosto e o pescoço da colega. No Rio de Janeiro, uma professora foi presa por manter relações sexuais com uma aluna de 13 anos. A loura da Uniban, Geisy Arruda, posou pelada, sem o microvestido rosa-choque, mostrando que tudo acaba na busca de fama e uns trocados.
Está na hora de adultos pensarem com cautela se querem colocar um filho no mundo. Se querem cuidar de verdade dessa criança. Ouvir, conversar, beijar, brincar, educar, punir, amparar, dedicar um tempo real para acompanhar seu crescimento, suas dúvidas e inquietações. Descaso, assédio moral e físico contra crianças, brigas entre pai e mãe, separações litigiosas podem levar a tragédias como a que matou a menina Joanna. Submetida a maus-tratos e negligência, Joanna talvez tenha simplesmente desistido de continuar no inferno em que se transformara sua vida aos 5 anos de idade.
Não sou moralista. Mas a sociedade mergulhou numa disputa de baixarias. As competições escancaradas na TV aberta, sob a chancela de “entretenimento”, estimulam a humilhação pública e a indignidade humana. Comer pizza de vermes e minhocas vivas, deixar ratos e cobras passear pelo corpo de uma moça de biquíni, resistir a vômitos, como prova de determinação e bravura – isso é exatamente o quê? Expor pessoas ao ridículo, enaltecer o lixo, a escória, em canais abertos a crianças e adolescentes... não seria inaceitável numa sociedade civilizada? Diante de alguns programas televisivos, o “rodeio das gordas” pode parecer brincadeira. Mas não é."
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
I love NY...

Imagina uma cidade na qual, desde a primeira vez em que pisa, você sente aquela sensação de que está revisitando uma velha e querida amiga... Imagina uma cidade onde você desce em uma estação de metrô e encontra um músico solitário, cantando uma velha canção que você ama (stop in the name of love)... O velho senhor te convida a se juntar a ele, como se fossem velhos parceiros, você então começa a cantar e dançar, como se o tempo houvesse parado, e existisse apenas você, a canção, o velho cantor e aquele sonho de cidade... E quando finalmente você abre os olhos, está no meio de um circulo de pessoas que se formou para assistir você e o seu novo e desconhecido amigo... alguns filmam, outros tiram fotos, outros aplaudem... A música termina, você sorrí para o seu partner, deixa-lhes algumas moedas no baldinho e parte feliz da vida para explorar essa cidade, que por mais que seja mostrada, por mais que seja vista, nenhuma imagem lhe fará justiça... Nova York sempre me toca de uma maneira diferente a cada visita.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Casados Carentes

Por que eles agem como se fossem solteiros?
"Acho que toda mulher adulta conhece um deles: simpático, sedutor, carente e ... casado. Alguns são muito jovens, a maioria nem tanto. Todos têm em comum o olhar faminto, a mal disfarçada insatisfação com a vida conjugal e uma postura ambígua que pode ser resumida da seguinte maneira: eu não vou avançar o sinal, mas, se você sugerir, vou adorar.
São os casados carentes.
Entre eles, os homens são maioria, mas já conheci várias mulheres. Por alguma razão, o casamento não traz serenidade para essas pessoas. Produz angústia, inquietação, aprisionamento.
É um paradoxo. Ao casar, o sujeito deveria ficar feliz por ter encontrado alguém. Mas não. Ele sofre com a impossibilidade de ter todo o resto. Por isso os casados carentes se debatem contra os limites que inventaram para si mesmos. Por isso se insinuam para as pessoas ao redor deles, com maior ou menor sucesso. Por isso, violam, todos os dias, a única regra inviolável do casamento: não expor o seu parceiro ao ridículo.
Por que as pessoas fazem isso? Por algumas razões, eu imagino.
A primeira, óbvia, é que nem todo mundo é feliz no casamento. Nem todo mundo sabe o que está fazendo quando se casa – por ser jovem, por estar perdido, por querer deixar a casa dos pais, por estar grávida e assustada, ou por ter engravidado alguém e estar assustado. Há inúmeras razões para um mau casamento, mas quase todas desembocam no mesmo tipo de atitude: aqueles que se casam errado convivem de forma contrariada com a instituição.
Uma segunda razão, mais profunda, é que nem todos são capazes de ser feliz no casamento, por mais bacana que este seja. Essas pessoas logo descobrem que não vivem bem na companhia do outro. Percebem que a vida comum cai neles como uma roupa apertada. Ao notar isso, deveriam ser capazes de conversar e ir embora. Mas não. Eles ficam, e aí começam as indignidades.
Se existe uma regra sobre os casados carentes é que eles foram, antes, solteiros carentes.
Pessoas assim imaginam que casar resolverá a ansiedade, acabará com a angústia, trará paz. Obviamente não acontece assim. Os seres humanos levam para as suas relações aquilo de que são feitos. Assim, em pouco tempo de casado, fica evidente que a outra pessoa não vai preencher a vida de quem tem um buraco na alma. Os carentes precisam de uma multidão.
Se a gente não os leva a sérios, percebe que são bobos, hesitantes, coquetes no caso das mulheres. Se você resolve envolver-se com eles, descobre que embarcou num turbilhão. Já tive as duas experiências abundantemente: ser o carente e gostar do carente. Nenhuma delas é boa. As duas são vexatórias. Ainda não inventaram nada que substitua um ser humano que sabe o que deseja e escolheu você. Os carentes, casados ou não, vivem em dúvida. Escolhem todo mundo e vivem apenas para eles mesmos."
Ivan Martins
Mais uma vez o Ivan Martins arrasou!!! Conheço muito homens-casados-carentes-sedutores e algumas mulheres-casadas-carentes-coquetes... Só nunca tinha chegado à essa idéia que ele nos coloca tão bem nesse texto: essa turma é mal resolvida desde sempre. Eram solteiros carentes que pegaram o primeiro "papelzinho que passou na ventania"... e agora vivem por aí ciscando, mas jamais abrem mão da zona de conforto.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Dever de Sonhar

Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis.
Fernando Pessoa
De que são feitos os dias dos poetas?

"De que são feitos os dias dos poetas?
De poesias, de alegria, de amor, de tudo o que for!
São feitos com o sorriso das crianças.
Com pequenas e doces lembranças,
Com o desabafo das dores,
Com a união de novos amores,
Com os infinitos desejos,
Com o desabrochar das flores,
E com o interesse de cada um dos leitores."
P.G.K.S.
Estava buscando na net um poema sobre "poetas" e encontrei esse poeminha muito fofo, em uma puplicação escolar. Ele foi escrito por menino de 13 anos, que bem poderia ser meu filho. E pasmem, essa minha afirmação não é só porque eu tenho uma filha na mesma idade que o pequeno poeta, ao ler o nome do autor e sua filiação quase caí pra trás ao descobrir que namorei o pai dele... Que mundo pequeno!!!
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